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sexta-feira, 8 de julho de 2011

A MANQUINHA DO MÉIER...

Esse título está politicamente errado, pois aqui no século 21 não nos referimos a uma pessoa por sua característica física, nem religiosa, raça...

Mas meu suposto leitor... nos anos 70 os adolescentes faziam essas maldosas referencias exatamente sobre alguma característica pessoal de alguém. Hoje tenho 52 anos e estou nos anos 10 do século 21. Sou descolado, tenho um entendimento diferenciado do mundo, me considero um cara legal, alguém que você gostaria de conhecer. Gosto de falar, de ouvir, gosto muito de ser gentil com as pessoas, mas confesso que nem sempre fui assim...

Numa noite de sábado, num setembro de 1976, eu com 17 anos e os hormônios andando sobre meus ombros como formigas, fui ao baile com a minha patota maneira. Era assim que se chamava a nossa reunião de sábado a noite dançante - baile! Tocavam Slade, Elton John, Gary Gliter..., e a patota composta de adolescentes com três fios de barba na cara e um drops Dulcora enooorrrme no bolso, ficavam um desafiando o outro a chamar aquela mina pra dançar. Era divertido. Era curtição. Eu não tinha contas para pagar, eu não tinha o elemento filho para me preocupar, eu era de todas e de ninguém... Comigo éramos cinco caras e naquela altura da noite todos já tinham dançado com alguém, menos EU.

Meu solitário leitor, os caras do século 21 inventaram uma coisa sensacional chamada de FICAR!! Isso é bolação de homem e as meninas ainda não perceberam isso. Ainda me dói tentar entender o que é ficar, ou melhor, tentar aceitar... Pois naquela merda dos anos 70, para ficar com alguém você tinha que namorar a guria, aturar o seu irmão chato e a cara esquisita do seu pai... Sem falar naquele maldito cachorro que vinha cheirar suas partes pudicas e você ficava com cor de berinjela diante da família dela...

Deixa pra lá!

Como estava dizendo, todos já tinham dançado com alguém, menos EU. Me zoaram imperdoavelmente...  Tá com chiclete de coco?...hahahaha, não tomou banho hoje?....hahaha. Oferece dinheiro, quem sabe?...hahaha Então vociferei irritado: Vocês vão ver... vocês vão ver a mina que vou arranjar!!!!! Seus fdp!!! Os risos viraram gargalhadas, e gargalhada de adolescente é maldita, você sabe... Prima não vale....hahaha Fiquem olhando para mim, fiquem de olho em mim...Eu não devia ter dito isso! E me afastei do grupo...

Estava no clube Mackenzie na Rua Dias da Cruz, 561 no Méier, o som estava muito alto eram 11 da noite e meu orgulho de macho adolescente estava bem ferido.

Me afastei e sentei no chão num canto encostado na parede. Os minutos viam e iam até começar a tocar Evie do Johnny Mathis, era o tema de abertura do jornal HOJE da TV Globo que começava a 1 da tarde. As meninas suspiravam, os caras também, mas era inconfessável tal viadagem... 

Nunca fui muito bonito, por isso precisei aprender a arte da argumentação, chacoalhar o charme e temperar meu sex apeal... 

Logo no início dessa música olhei para o lado (o adolescente dessa época parecia um ventilador, olhava de uma lado para outro o tempo todo), e vi uma menina olhar direto no preto dos meus olhos... Ainda olhei para o lado, pensei que poderia ser outro cara... Não tinha ninguém do meu lado... Ela estava olhando para mim!!!... As sirenes tocaram e meu sorriso apareceu tão lilás e fosforescente como a “luz negra” que se usava na época...

No meio daquela música alta eu disse Oi. Eu sentado no chão ela em pé próxima de mim. Ela disse Oi, ou pelo menos pude ler nos seus lábios. Aí levantei! E como um guerreiro que se lança num ataque a sua presa, confiante, garboso, e decidido, cheguei bem juntinho dela e perguntei caprichando na voz grave: Quer dançar?

Dançar era muito legal, pois era o jeito de você chegar seu corpo junto de uma menina ainda que não estivesse namorando com ela. Sentir seu perfume, trocar algumas palavras, quem sabe um beijo... Waallll era muito legal.

Quando fiquei de pé a primeira constatação, ela devia medir um pouco mais de 1,45, sentado e no escuro não avaliei bem. Ela não me tocou, me deu um nó de gravata na cintura, aí meu sinal amarelo acendeu, algo estava fora do tom. Para completar ela tinha uma perna menor que a outra, bem menor. Parecíamos um barquinho rebocador vencendo as ondas na tempestade, agente caia para um lado e depois tombávamos para o outro... E preso pela cintura eu tinha que fazer o mesmo movimento montanha russa com ela... 

Um gelo me correu a espinha: Fiquem olhando para mim, fiquem de olho em mim... meus amigos!! A cada inclinação eu procurava olhar para os lados, até que avistei todos os quatro rindo e me apontando... Era o fim dos tempos, o próprio armagedom, isso iria se espalhar pela escola, pela rua, pelo país quiçá o mundo inteiro ficaria sabendo...

Depois de uns dois minutos e já bem enjoado ela me perguntou: Qual é o seu nome. Eu disse: Joaquim... Que lindo nome, é o nome do meu avô. Você mora por perto? Eu sou de São Paulo... Ah... Como iria sair dessa situação sem magoar a guria?? Depois de três infinitos minutos daquela maldita música ela falou de novo: Vamos dançar a próxima também? Eu já estava pronto para dizer que iria ao banheiro, quando a outra música começou e ela me apertou mais um pouco. Achei que iria passar o resto da minha vida ali... A 2ª música estava quase acabando e me vi dançando a terceira, a quarta, a quinta... não tive saída, precisava fazer alguma coisa e fugir a pé para o Cazaquistão. Lancei mão do Plano Infalível nº1 que detona qualquer relação indesejada, sempre mencionada teoricamente na roda de amigos, mas eu nunca soube de alguém que tenha usado... 

Coloquei os miseráveis atrás de mim enquanto dançava para nada verem, fiz um olhar languido porem severo para ela e disse puxando as vogais no seu ouvido: Como é seu nome?
Ana Maria. Então entrei atirando. Aninha eu sou gay e estou muito sofrido porque o meu bofe está dançando com outra garota....o que que eu faço...??? Falando e fazendo beicinho... Ela afrouxou o nó nas minhas costas e faltavam poucos segundos para começar a terceira música. Gay? O que é gay??? (era uma palavra nova para os anos 70). Não arredei, comecei vou até o fim e falei solenemente levantando a sobrancelha. Viadinho amor! Viadinho! Ela me soltou... A máquina de lavar roupa enfim parou. Ela foi se afastando confusa, 1/2 sorriso, mechendo no cabelo, sem graça e mancando foi sumindo no escuro do baile... 
Eu corri para os fundos do clube... 

Meu imaginário leitor, é constrangedor confessar, mas numa noite fria de setembro de 1976 fui por 15 segundo viado....e meu pai deve estar de bruços na sepultura com essa estória!!

E os amigos?? Que amigos?!!?...

Direto do Humaitá lembrando o Méier,

Ricardo Cacilias
.
EVIE
Para os cinquentões como eu,
vamos ouvir a música da tragédia...




terça-feira, 5 de julho de 2011

CONVERSA COM UM MORTO

Infelizmente os textos que definiam nossa relação não nos premiaram com uma longevidade justa e mínima para te mostrar a continuidade dos meus esforços... Muitas vezes achamos que temos a eternidade para colocar as palavras certas para ilustrar certos momentos. Quase sempre esperamos demais, e a hora certa se vai sem aviso prévio. O silêncio pode ser tão cruel quanto absoluto. O tempo e o nosso silêncio foram mercadores que não nos deram descontos. Nem sei onde estão seus ossos, mas ainda sinto o cheiro da sua loção de barba... Nunca mais voltei onde te colocamos, prefiro lembra-lo como um espírito eterno do que dono de carnes sufocadas e desfeitas sob a terra. Sinto teus olhos sobre meus ombros sem poder fita-los, muitas vezes percebo a tua presença, o teu calor, mas sem o prazer de poder te dar o abraço que sempre faltei... A morte é o início, o meio ou o fim? Para mim tem sido apenas a cerca que nos separa. Nunca fomos íntimos, nunca falamos de mulher, nunca bebemos juntos, nunca trocamos nossas confidências, nunca fomos de muitas brincadeiras; nunca fizemos tantas coisa que me fazem continuamente falta. Hoje tenho filhos, dois o senhor não chegou a conhecer, são tão lindos quanto os primeiros. A primeira casou há alguns anos e está preparando o nosso herdeiro. O segundo está noivo e vai se casar em novembro, estaremos lá, sem dúvida. A terceira está apaixonada e o quarto, está em busca daquele abraço para me dar...

Como vê, os erros se repetem.

Nunca olhei nos teus olhos e disse que te amava... Desculpa! Vai em pensamento mesmo, teus ouvidos agora não precisam mais do som para entender. Tivemos que colocar tua mulher no asilo, ela está com Alzheimer, isso dói e desfarela a minha alma, o que me consola é saber que o amor que vocês têm não depende da carne existir. Estou começando a ficar com aquelas manchas que você tinha nas mãos, só não consegui ficar tão maduro e tão eficaz como você sempre foi. Em algumas coisas melhorei muito, pena que não a tempo para te mostrar. Precisei da ajuda feminina para extrair coisas boas de mim, realmente a mulher preenche espaços que nem sabemos ser tão preciosos. Hoje tudo é Skype, computador, e-mail, Facebook, instagran... mas a velha e boa saudade continua sendo a mesma velha e boa saudade. Chega! Fica em paz e até breve pai. Um beijo

.
Ricardo

ps. Pai, coloquei aqui um vídeo do Nelson Gonçalves; foi dele o único disco que te vi comprar em toda a sua vida. Mata a saudade, como eu... Um beijo.





domingo, 3 de julho de 2011

CAÍMOS DA LAMBRETA...





Ventava frio naquela noite e os galhos de uma árvore próxima estendiam-se até a minha janela, batiam no vidro como um código morse. Beatriz estava no curso de espanhol, olhei para o relógio e o estomago foi logo dizendo: "São 21:30...". Eu estava recostado sobre os travesseiros da minha cama vendo TV e um cara entrou no Bob's com uma linda morena... Ela sorri e em câmera lenta abre seu sanduíche. De repente ela faz uma cara de surpresa, havia uma aliança sobre  o pão... A câmera dá um zoom em seu rosto, seus olhos brilham como um sorriso até encher toda a tela da TV. Em baixo surge a frase:

                   "AS COISAS ACONTECEM POR AQUI!"

Pensei com meus botões: "Cara, eles falam qualquer coisa pra vender hambúrguer..." Nessa hora senti uma fisgada na cintura... A ponta daquela costela que flutua, deu uma bicada, a mando do coração, para me lembrar da Beatriz ainda na rua aquela hora. Ela deveria estar saindo do curso, sentindo frio e certamente  com fome como eu...
BEATRIZ
A propaganda do hambúrguer me fez lembrar que sou um casal e não apenas um gorila esfomeado! Desliguei a TV e  sai correndo, me apoiando nas paredes do corredor, enfiando o tênis nos pés para resgatar minha prenda... Chegando a encontrei na saído do curso e com ar de cansada. Eu disse: "Oi amor, vim te buscar. Vamos, tá frio..." "Cade o carro?" "A chave ficou na sua bolsa, mas de lambreta é mais rápido..." O trajeto foi tranquilo até chegarmos na São Clemente, apenas a poucos metros para virar na minha rua. Como que materializado de outra dimensão surgiu um caminhão enoooorrrme da COMLURB.1 parado do lado direito da pista. Pensei com meus botões: "Tudo bem é só olhar o espelho e desviar..." Mas tinha uma coisa errada, de uma espécie de torneira gigante jorrava litros e litros de um óleo sei lá qual, sei lá como e sei lá por qual motivo... Beatriz, que é quem pilota a lambreta, falou agitada:"Olha o caminhão!!!" Pensei: "Porra, ela acha que eu piloto de olhos fechados?" Ao perceber que era óleo, o instinto tomou o controle da razão, pois se freasse cairia, se acelerasse cairia, algum movimento brusco cairia e haviam muitos carros passando... Como eu estava em linha de colisão com o caminhão, girei microscopicamente o guidom na esperança de passar raspando e sair dali. E mesmo assim caímos... Sem aderência ao asfalto ficamos igual a um pedaço de manteiga solto dentro de uma frigideira quente. Beatriz foi a primeira, caiu de costas e veio deslisando até parar numa poça de óleo... Eu fiquei agarrado ao guidom com o coração preso entre os dentes, dei quase uma volta inteira no meu eixo e também cai. Arranjei uma poça de óleo para mim também... Mas Deus esticou a sua mão e nos livrou de algo pior do que uma mancha roxa na bunda e aranhões no orgulho próprio. Isso mesmo, meu orgulho de macho se arrebentou todo e foi se espalhando pelo caminho como as peças de um relógio velho... A culpa foi da propaganda do Bob´s, se tivesse sido do McDonald eu teria ouvido: "Eu amo muito tudo isso..." e não teria me dito nada, eu permaneceria em casa quentinho, seco e acolhido pelos meus travesseiros. Mas eles tinham que apelar, e isso me atingiu em cheio. "Você não viu o óleo?" Essa pergunta me doeu mais do que o tombo. "O que você queria que eu fizesse, ligasse as hélices e saisse voando?" "Ai, sujei minha bolsa, minha calça, minha blusa nova..." Beatriz subiu desolada a calçada pingando óleo. Do caminhão não surgiu ninguém, deviam estar abaixados na cabine rindo... Eu, com as pernas tremendo, tentava levantar a lambreta e nenhum FDP veio me ajudar... O mundo é habitado por uma legião de FsDP e uns poucos seres humanos, nessa hora não havia nenhum humano perto de nós. Passei a agir como um gorila enfurecido e faminto. Comecei a gritar, gesticular e a xingar sobre o absurdo que havia acontecido... No meio da minha raiva meus olhos se esbarraram com os dela. Ela estava encolhida e olhava em volta, tentava evitar os olhos dos curiosos. Foi como um balde de água fria. Entendi que um gorila, como eu, não liga para os olhos dos FsDP, mas uma mulher não pensa como um macaco; ela é sensível, se importa, ela fica magoada... Então Beatriz me deu o mesmo olhar que a morena da propaganda fez antes de abrir o sanduíche, o olhar da expectativa. Havia curiosos em volta, os carros buzinavam, o vento estava frio, mas seus olhos pequenos encheram a tela da minha razão e surgiu em baixo desse olhar a frase: "Sou mulher, sua mulher, o que espero de você é que não se esqueça disso". Na mesma hora revi, em câmera lenta, passo a passo dessa merda toda.  Minha cara de idiota assutado caindo da lambreta, a queda dela e meu pescoço virando para trás enquanto caía para ver se ela estava bem, sua bolsa de couro pingando óleo, seu cabelo sujo, seus olhos tristes. Porra, nem um gorila seria tão insensível... Calei a boca, subi na lambreta e estiquei a mão: "Vamos embora daqui!" Ela viu que eu havia "entubado" a raiva. Aproximou-se em silêncio, subiu na lambreta e fomos para casa. Que fim de noite!!! 
No dia seguinte dor aqui, dor ali... Lembrei de ter lido uma vez que quando uma coisa ruim acontece, para que não fiquemos com traumas, temos que insistir no uso da coisa que causou o constrangimento o mais cedo possível para desfazer o sentimento ruim. Então disse para a "miss Dayse": "Vou te levar no trabalho de lambreta..." Ao ouvir isso, ela produziu uma inacreditável cara com mistura de "vai a merda" com "some daqui", mas acabou aceitando meus argumentos  e fomos.
No trajeto para a escola, onde ela dá aula, comecei a perceber uma mudança de atitude e que passou a ser um padrão toda vez que andamos de lambreta... Tal qual se faz com os arreios de um cavalo, ela, na garupa, vai puxando a minha roupa na direção que julga ser a correta. Achei esquisito aquilo, mas não disse nada e resolvi obedecer ao cabresto... E assim estamos levando. Ela puxando os arreios e eu fingindo não perceber. Não sei se essa mudança de comportamento é trauma da queda ou se ela arranjou um jeito sutil de me chamar de burro... 
Será?  

Ricardo Cacilias
  03-07-2011
dedicado aos homens que 
sabem preservar a mulher

(1) Empresa de limpeza urbana da prefeitura do Rio



sexta-feira, 1 de julho de 2011

A MULHER QUE EU AMO...

Roberto escreveu uma linda canção, apenas piano, voz e violino... com esse título, A Mulher que eu Amo.
Waaallll!!
O Mundo é grande, mas nem todos os homens que nele habita podem dizer que tem uma Mulher para amar (mãe não vale). Não que amar uma mulher nos deixa mais estúpidos, cegos e dependentes do que já somos, mas as vezes elas gostam de nos lembrar disso.
No entanto faz parte do “pacote”, quando nos apaixonamos, reconhecer a humanidade e todas as circunstâncias que isso trás a outra pessoa. O amor, quando verdadeiro, nos faz somar ao outro, nos faz compensar onde precisamos de preenchimento, nos conduz a divisão da alegria e da falta dela.
Uma vez a mulher que eu amo me perguntou, “porque você gostou de mim?...”, eu tinha todas as respostas para isso, só não conseguia ordená-las em minha boca. Fiquei mudo. Ela se aborreceu e eu fiquei mais mudo ainda. Os mistérios por sua própria natureza se mostram e se ocultam como uma moeda girando, onde você identifica um dos lados e ao mesmo tempo o outro vem para te confundir.
Às vezes a mulher que eu amo me dá raiva com seu jeito de “guardiã das verdades do Mundo”, argh!! A mulher que eu amo, tem uma peculiar capacidade de me fazer sentir uma criança de fralda cheia, a mulher que eu amo as vezes parece um delgado interrogando um meliante, a mulher que eu amo as vezes não parece em nada com alguém que eu possa afirmar que é alguém que eu amo...
Esse é um dos lados dessa moeda que gira entre meu coração e meu entendimento.
Mas às vezes as asas desse mistério me tocam me fazendo lembrar dela. Em meus pensamentos vejo seu sorriso e minha boca se estica sorrindo, lembro de suas frases, dos seus medos de mulher, do seu pavor de barata, dos seus dedos finos, da fragilidade do seu corpo nu e entregue a minha bestial paixão... 
Sinto-me integralmente abençoado e responsável por sua vida, como um jogador faz ao pegar a bola e chama para si a responsabilidade de bater um pênalti.

A mulher que eu amo 
também é pequena, tem 
a paz nos seu olhos de 
amêndoa, é a minha vida, 
a luz onde me acho na 
escuridão, e tudo nela é 
muito verdade!!

E a moeda gira gira gira e 
que Deus permita que 
seja eterno o seu movimento.                                                                                                                                 
Te amo

Segue abaixo a letra da
canção que me faz lembrar dela.
A mulher que eu amo / Tem a pele morena / É bonita, é pequena / E me ama também
A mulher que eu amo / Tem tudo que eu quero / E até mais do que espero / Encontrar em alguém
A mulher que eu amo / Tem um lindo sorriso / É tudo que eu preciso / Pra minha alegria
A mulher que eu amo / Tem nos olhos a calma / Ilumina minha alma / É o sol do meu dia
Tem a luz das estrelas / E a beleza da flor / Ela é minha vida / Ela é o meu amor
A mulher que eu amo / É o ar que eu respiro / E nela eu me inspiro / Pra falar de amor
Quando vem pra mim / É suave como a brisa / E o chão que ela pisa / Se enche de flor
A mulher que eu amo / Enfeita a minha vida / Meus sonhos realiza / Me faz tanto bem
Seu amor é pra mim / O que há de mais lindo / Se ela está sorrindo / Eu sorrio também
Tudo nela é bonito / Tudo nela é verdade / E com ela eu acredito / Na felicidade
Valeu Roberto!!

quinta-feira, 23 de junho de 2011

MEUS ANOS 70...

Meus caros, nem sempre tive 52 anos...

Já fui um adolescente!  Tão normal e previsível como todos são; em outras palavras, uma explosão de hormônios faiscando pelo corpo e ofuscando suas mentes... Meus cabelos chegavam a ficar esticados na cabeça quando pensava em mulher... Parecia um choque na tomada...

1972 - Brezhnev e Nixon
Os anos 70 produziam seus fantasmas a dar de pau como, por exemplo, a Guerra Fria entre os Estados Unidos de Richard Nixon e a União Soviética de Leonid Brezhnev. Davam um absoluto e constrangedor “cagaço”. 

A chamada Bomba H
Os miseráveis americanos e os fdps dos Soviéticos estavam prestes a disparar suas milhões de ogivas nucleares um contra o outro; seria o fim do mundo moderno e a volta a Idade da Pedra. Os noticiários relembravam as palavras do físico Albert Einstein que disse certa vez que ele não sabia exatamente como seria a terceira guerra mundial, mas a quarta seria usando paus e pedras.... E dá-le filmes sobre o tema, guerra mundial e fim do mundo...

Waallll... que cagaço!!!  

Meu saudoso e muito querido pai Gelson cobrava boas notas na escola, mas eu pensava: Tá maluco? O mundo vai acabar e vou morrer virgem!!!

Globo Repórter
Minha única esperança era que aqui na América do Sul não cairiam tantas bombas assim, mas sempre havia uma abordagem do “Globo Repórter” falando do Inverno Atômico que liquidaria toda a raça humana...

Waallll... que cagaço!!!

Você consegue imaginar hoje no dia 23 de junho de 2011 como eu, um garoto, assimilava essas informações apocalípticas no anos 70?...

E o petróleo? Juravam pela mãe mortinha que as reservas só durariam mais 20 anos... Os árabes multiplicaram em várias vezes o preço do barril e tínhamos aqui no Rio um racionamento de gasolina: as oito da noite os postos fechavam e não abriam no fim de semana...

Eu pensava, “mas que porra, na minha vez o mundo está acabando, estou começando agora, me dêem uma chance de morrer velho!!!"

Os anos 70 foi um campo minado para muitos adolescentes germinarem suas bases. E sem a preocupação de não ser original quero afirmar... quanta saudade!!!

Então se por acaso alguém está lendo esse relato, suplico que encare seus pais como heróis sobreviventes que alcançaram o futuro que vocês chamam de presente. Nós pais temos nossos limites, nossas capacidades, esperanças, temos nossos “cagaços”, temos vontades, temos a responsabilidade atrelada ao amor que nutrimos por nossos outros...

Cada passo e cada jarda foram construídos com a devida abnegação e determinação de quem “está tentando fazer o melhor do seu possível”... Cada um tem o seu limite de puxar o elástico antes que ele arrebente... você, seus pais, somos todos parte dessa raça chamada humana...

Deixem-me falar das minhas injustiças e falta de entendimentos aos “cagaços” de meus pais; como disse um presidente deposto deste país: "o tempo é o senhor da razão."
.
Dói sentir saudade misturada com as culpas dos entendimentos estreitos que tive com meu pai em vida... Chorar é meu único consolo! Pai, mãe... amo vocês!!! 

Meu pai foi ao encontro de seus ancestrais 
e minha mãe está num asilo na Tijuca...

...Um debiloide matou John Lennon com
cinco tiros na saída do studio de gravação... 

...O caso Watergate aposentou o
porco de Richard Nixon. Morreu 
velho e sem o respeito de seu povo...


...Elvis morreu entupido de drogas e sozinho em seu banheiro...
...Os exilados brasileiros voltaram, e nos
livramos dos fdp dos golpistas militares...




...tivemos um operário metalúrgico
na presidência do Brasil...












...o presidente norte-americano é Negro...


                                                            
...e o nosso presidente é Mulher.

Mudou tanto e tantas vezes que parece que acordei num outro mundo...

Era para ser uma introdução de outro assunto, mas acabei me empolgando em falar da minha adolescência... Viajei longe, mas do que escrevi... Deixarei, então, para falar da “ Maquinha do Meier” no meu próximo texto.
.
Obrigado pela paciência e que Deus olhe por todos nós...

Despeço-me, 
Ricardo Cacilias


Vamos entrar no clima dos anos 70 
com a canção Imagine de John Lennon
Imaginar
.
Imagine não há nenhum céu 

É fácil se você tentar 
 Nenhum inferno abaixo de nós 
Acima de nós apenas o céu 
Imagine todas as pessoas  
Vivendo para hoje
Imagine não haver países 

Não é difícil de fazer 
 Nada para matar ou morrer  
E nenhuma religião também  
Imagine todas as pessoas  
Vivendo a vida em paz
Você pode dizer 

que sou um sonhador 
Mas eu não sou o único  
Espero que algum dia  
você se junte a nós  
E o mundo será como um
Imagine não haver posses 

Eu me pergunto se você pode 
Sem necessidade de ganância ou fome  
Uma irmandade dos homens  
Imagine todas as pessoas  
Compartilhando o mundo todo
Você pode dizer: 

eu sou um sonhador 
Mas eu não sou o único  
Espero que algum dia  
você se junte a nós  
E o mundo viverá como um único